Arquivo de Setembro, 2012

À luz de velas

Posted: Setembro 26, 2012 in Textos

Chuva. Frio. Cama e cobertor. Quase meia-noite. Velas. Não existe nada mais excitante do que esse conjunto de coisas e um bom livro. Vivo as mais inacreditáveis aventuras: vou até o fim do mundo, voo nas costas de corujas gigantes, passo pela cidade dos gigantes… Tudo isso sem nem sair do quarto.

A energia havia acabado e tudo que eu mais queria era fugir um pouco da minha realidade, é como dizem “a arte nos ajuda a escapar quando a realidade tenta nos matar”. Resmungos comuns de “vai dormir” sendo ignorados, um frio digno da Europa e um cobertor grosso delicioso me aquecendo. Ah! Nada melhor que me teletransportar pra um lugar que ninguém no mundo pode me encontrar.

Os livros se tornaram meus melhores amigos. Eu só os leio quando quero, me fazem viajar pra outros lugares incríveis e fazem meu coração bater descompassadamente diante de tantas aventuras. Páginas. Cada página sendo apreciada como se fosse uma obra de arte. Analisando cada vírgula, cada palavra, cara parágrafo. Uns e outros por aí dizem que estou “perdendo” minha adolescência. Pode até ser (embora eu não acredite). Mas, pelo menos, eu sei escrever um português correto (Paula Pimenta me entende!), enquanto estes, nem sabem que atônita e atômica não são a mesma coisa.

Em uma noite de setembro em que meu primeiro encontro à luz de velas foi com um livro, fiquei me perguntando “quem, em sã consciência, estaria lendo, nessa chuva, à luz de velas?”. A resposta foi instantânea: ninguém. Mas apesar de tudo, é maravilhoso saber que faço algo que assusta o resto do planeta. Porque, na maioria das vezes, é o resto do planeta que me assusta.

P.s.: Pode ter certeza que foi o melhor encontro à luz de velas que alguém já pôde ter.

Começar e terminar: o desafio

Posted: Setembro 25, 2012 in Textos

Não sei você, mas eu tenho uma dificuldade enorme em continuar as coisas que começo. Acho tudo incrível no início, mas logo desisto. Me canso das mesmas coisas, me canso de continuar fazendo. É como se surgisse um ponto de interrogação gigante na minha mente indagando “pra quê que eu tô fazendo isso, mesmo?”.

Falta de perseverança. Desistência. É tão fácil falar “não desista” pros nossos amigos, o difícil mesmo é não desistir. Não desistir do blog que você começou (oi!), dos amigos chatos que a gente gosta, do livro que a gente começou a ler…

Não existe nada mais prazeroso do que começar algo. Sempre tem aquela mágica maravilhosa de criar tudo! É ótimo. E a gente é assim em tudo: na primeira semana de aula, nas primeiras tarefas, com os amigos novos, início de relacionamentos… Mas por que é que a gente desiste?

Quando as coisas começam a ficar mais difíceis, aí sim que nós colocamos na balança se realmente vale a pena todo o esforço e trabalho que tal coisa está nos dando. Mas só fazemos isso quando algo não está indo bem. Ou seja, sempre teremos os olhos mais fixos pros problemas e, nada do que foi bom anteriormente, vai fazer valer a pena continuar, quando estamos focados nos problemas.

Já comecei inúmeras coisas, porém são raras as que eu continuo. Simplesmente por falta de incentivo e de perseverança. Só continuo coisas demoradas e longas quando são cobradas, especialmente as da escola.

Vivemos na geração do “agora”. Temos a internet, a tv, o celular, os sms… Tudo em uma fração de segundos. Estamos acostumados a não esperar pelo retorno, a não precisarmos ter paciência. A raiz da desistência está na impaciência. Não conseguimos esperar resultado a longo prazo. Não queremos nos empenhar o tempo necessário pra que dê!

As coisas nunca vão ser só boas, nunca. E nada vai ser sempre só ruim! Antes de começar algo e ter a tristeza de “poxa, mais uma coisa que estou desistindo”, é importante colocar os prós e contras no papel e conferir se vai valer a pena o desgaste, o trabalho e o empenho. E, se valer a pena, vamos tentar lembrar toda vez que pensarmos em desistir, no que nos fez começar.